Em noite fria e de poucas emoções, Valério empata com o Aymorés e amplia jejum dentro de casa
Numa noite marcada por reclamações contra a arbitragem, muitas disputas físicas e raras oportunidades de gol, o placar em branco refletiu fielmente o que foi o jogo.
Foto:Divulgação O Valeriodoce teve a chance de assumir a liderança do Grupo B do Campeonato Mineiro Módulo II, mas esbarrou em uma noite de limitações ofensivas e ficou no empate sem gols com o Aymorés, na noite desta quarta-feira (18), no Estádio Israel Pinheiro. Diante de 1.777 torcedores e renda de R$45.880, o Dragão pouco criou, encontrou dificuldades para construir jogadas e viu escapar uma oportunidade valiosa de assumir a ponta da chave após o empate por 1 a 1 entre Democrata-SL e Coimbra.
O resultado manteve a invencibilidade da equipe comandada por Paulinho Guará, mas teve gosto amargo. Além de desperdiçar a chance de ultrapassar Democrata-SL e o próprio Aymorés na tabela, o Valério ampliou para dois anos o jejum de vitórias em Itabira. Numa noite marcada por reclamações contra a arbitragem, muitas disputas físicas e raras oportunidades de gol, o placar em branco refletiu fielmente o que foi o jogo.
O frio que tomou conta de Itabira parecia ter congelado também a criatividade das duas equipes. Logo aos cinco minutos, o Aymorés mostrou que chegaria mais organizado ao duelo. Após cobrança de escanteio pela esquerda, Antônio Jr subiu livre e cabeceou por cima do gol defendido por Reynaldo. A resposta do Valério demorou a aparecer. O time encontrava enorme dificuldade para trocar passes e avançar com qualidade. No meio-campo, o Aymorés dominava os duelos e acelerava as jogadas com mais facilidade. No ataque, Igor Bádio ficava isolado entre os zagueiros adversários e pouco conseguia produzir.
Aos 16 minutos, Gabriel Neto cobrou falta com perigo para os visitantes. A bola passou por cima do travessão, mas serviu de alerta para o Dragão. Três minutos depois surgiu o primeiro grande momento de reclamação. Marcílio, que ganhou a vaga de Fumaça entre os titulares, tentou passar pela marcação e caiu próximo à área. O árbitro entendeu que o atacante escorregou e mandou seguir. A decisão revoltou a torcida e provocou protestos imediatos do banco comandado por Paulinho Guará. O camisa 11 era, inclusive, o atleta mais orientado pelo treinador durante toda a etapa inicial. O relógio avançava e o cenário permanecia o mesmo. O Valério seguia sólido defensivamente, principalmente com Ulisses e Carlos neutralizando as investidas adversárias, mas não conseguia transformar a segurança defensiva em volume ofensivo.
Aos 25 minutos, nova reclamação. Patrick roubou a bola no meio-campo e iniciava um contra-ataque promissor quando foi puxado pelo adversário. A falta foi marcada, mas o cartão não veio. A arquibancada não perdoou. Na cobrança, Dionatan Machado tentou a finalização direta e mandou longe do alvo. Por volta dos 30 minutos, torcida e comissão técnica já acumulavam pelo menos quatro reclamações importantes contra a arbitragem, principalmente pela ausência de cartões em lances considerados claros.
O Valério só conseguiu construir uma jogada trabalhada aos 31 minutos. Marcílio, Patrick e Ramon trocaram passes e deram algum sinal de vida ao setor ofensivo. Pouco depois, Patrick sofreu nova falta e novamente a torcida pediu advertência disciplinar para o adversário. Na cobrança, Dionatan arriscou direto para o gol e levantou os torcedores ao ver a bola passar por cima da meta defendida por Luís Augusto. Naquele momento, o Dragão já conseguia equilibrar a partida e ditava o ritmo havia alguns minutos.
A melhor oportunidade do primeiro tempo surgiu aos 37. Marcílio roubou a bola pelo lado direito e tentou invadir a área. A bola ficou com Igor Bádio, que soltou uma bomba de perna direita, mas a bola subiu demais e saiu por cima do travessão. O Valério insistia principalmente pelo lado direito. Índio, aberto pela esquerda, participava pouco das ações ofensivas. Em uma de suas raras aparições, conseguiu um escanteio. Na cobrança, Bádio cabeceou sem força e facilitou a defesa do goleiro.
No penúltimo lance da primeira etapa, o Aymorés ainda teve uma oportunidade em bola parada. Reynaldo afastou o escanteio e iniciou um contra-ataque. Índio arrancou em velocidade e acionou Dionatan Machado. O camisa 10 avançou e finalizou de esquerda, mas sem força, encerrando um primeiro tempo morno.
Se a expectativa era de um jogo mais aberto após o intervalo, ela durou pouco. Logo no primeiro minuto, o Aymorés assustou com um chute por cima do gol. No lance seguinte, Gonzalo recebeu o primeiro cartão amarelo da partida após atingir Ulisses com o pé alto e o cotovelo levantado em disputa de bola. Os visitantes voltaram melhores e chegaram novamente aos seis minutos, outra vez sem acertar o alvo. Aos 11, a arbitragem voltou ao centro das atenções. Patrick foi derrubado no meio-campo e o árbitro mandou seguir, provocando nova onda de protestos.
Paulinho Guará então decidiu mexer na equipe. Aos 15 minutos, promoveu as entradas de Vitinho e Natã nas vagas de Patrick e Marcílio. A tentativa era dar mais mobilidade e velocidade ao setor ofensivo. O problema, porém, continuava o mesmo. O Valério abusava dos lançamentos longos e pouco construía por baixo. Bádio não conseguia vencer os duelos aéreos e a defesa comandada por Ubá neutralizava praticamente todas as investidas.
Aos 27 minutos, Guará lançou Fumaça e promoveu a estreia de Guilherme Teixeira, substituindo Bádio e Índio. O treinador buscava novas alternativas para quebrar a organização defensiva do Aymorés. Enquanto isso, o jogo seguia travado. Aos 32 minutos, a arbitragem, tão criticada durante a noite, acabou beneficiando o Valério: o zagueiro Carlos atropelou um atacante adversário em uma disputa de bola e o árbitro sequer marcou falta. As mudanças continuaram dos dois lados, mas sem alterar o panorama da partida. O Aymorés passou a administrar melhor a posse e impedir qualquer tentativa de pressão itabirana.
Aos 37 minutos, Caio Dias sofreu uma entrada dura e, mais uma vez, os protestos foram direcionados ao árbitro. Dentro de campo, porém, o Valério continuava sem conseguir dominar a bola, trocar passes ou encontrar espaços. Aos 43, Dionatan Machado arriscou a primeira finalização itabirana na segunda etapa. Sem perigo.
Vieram então cinco minutos de acréscimos e o Valério tentou pressionar nos instantes finais. Aos 46, Caio Dias roubou a bola, tabelou com Vitinho e cruzou da linha de fundo sem encontrar ninguém. Quando a torcida já se conformava com o empate, surgiu a única oportunidade realmente perigosa da reta final. Aos 49 minutos, Natã dominou na entrada da área, ajeitou para a perna esquerda e bateu firme. A bola passou por cima do travessão, assustando Luís Augusto e arrancando um suspiro coletivo das arquibancadas.
Foi o último lance de uma noite em que o Valério correu, lutou, reclamou da arbitragem, mas pouco jogou – principalmente devido a má condição do gramado do Israel Pinheiro, novamente alvo de críticas pelos dois times. O empate sem gols manteve a equipe invicta e entre os primeiros colocados do Grupo B, porém deixou escapar a liderança e ampliou uma incômoda marca: já são dois anos sem vitória do Dragão diante de sua torcida no Estádio Israel Pinheiro.






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