Cuidado em Liberdade e Luta Antimanicomial: Seminário debate saúde mental e racismo na Mata do Intelecto
Foto:Divulgação Na manhã de ontem (26/05), o cenário verdejante e acolhedor da Mata do Intelecto, em Itabira, tornou-se palco de reflexões profundas e urgentes. Em consonância com a programação do Mês da Luta Antimanicomial, o espaço recebeu o seminário “Cuidado em Liberdade, Racismo e Território na RAPS” (Rede de Atenção Psicossocial).
O encontro reuniu profissionais de saúde, educadores, assistentes sociais, usuários da rede e membros da comunidade para dialogar sobre os rumos da saúde mental pública, com foco nas interseccionalidades de raça, idade e território.
Racismo Estrutural e a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes
Um dos pontos altos do seminário foi a discussão sobre o impacto do racismo estrutural no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes negros e de periferias. Os participantes debateram como a discriminação cotidiana, a vulnerabilidade social e a falta de representatividade geram sofrimento psíquico profundo nessa parcela da população.
A mesa de debates evidenciou que falar de saúde mental na infância e juventude exige, obrigatoriamente, o enfrentamento ao racismo. Sem esse olhar sensível e direcionado, as políticas públicas correm o risco de reproduzir as violências que deveriam combater.
O Território como Espaço de Cura e Afeto
O conceito de território foi amplamente defendido como a base para um tratamento humanizado. Longe da lógica do isolamento e do modelo de internação asilar (os antigos manicômios), o seminário reforçou que a saúde mental se reconstrói no dia a dia, perto da vida real das pessoas, de suas famílias e de suas comunidades.
Cuidar em liberdade significa:
Valorizar a história do sujeito: Entender as particularidades do contexto onde a pessoa vive.
Fortalecer vínculos comunitários: Estimular que o tratamento ocorra em espaços de convivência social, cultura e lazer.
Promover a autonomia: Garantir que o usuário da RAPS seja protagonista de sua própria história e reabilitação.
O Compromisso de Itabira com a RAPS
A realização do evento na Mata do Intelecto — um espaço público de lazer e preservação — simboliza o compromisso da gestão municipal e dos trabalhadores da saúde com a humanização do atendimento. A atividade reforçou o papel essencial da RAPS em oferecer escuta qualificada, acolhimento integral, acolhida humanizada e a garantia intransigente dos direitos humanos.
Mais do que um debate técnico, o seminário foi um ato político de resistência e afeto. Ele lembrou a todos que a verdadeira reforma psiquiátrica se faz diariamente, com diálogo aberto, inclusão social e combatendo toda forma de preconceito.






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